terça-feira, 19 de abril de 2011

Carta de Telmo Clementino a Sigmund Freud

Caro amigo, 

A necessidade material e o desgaste físico nunca foram motivos para eu lhe escrever durante esses anos. A necessidade emocional, fruto da tua ausência e a longa distância que há entre nós é a quem me apego todas as vezes que aqui venho.

Saber por onde anda e o que tem descoberto; as antigas pesquisas, a filosofia, os amores, em suma, sua mente brilhante me faz falta. Relate-me acerca de tudo isso quando puder.

Recebi um telegrama seu, e logo em seguida, uma encomenda. Você sabe de que se trata. O que me encantou mesmo foram umas folhas que pareciam compor uma espécie de dossiê. Aquele último relato me chamou atenção. É fascinante essa busca por libertação que nos deixa ainda mais presos aos nossos anseios. O caso Apple também é chocante e o final nada previsível. O mercado clínico europeu parece ser lucrativo, e melhor, satisfatório para estudantes como você.

E a viagem para França foi boa? Acho que Paris não inspira só a arte. Cada passo dado ali deve pesar fardos de variadas sensações. A cidade luz ofusca a depressão de seus habitantes.

Pretendo lhe enviar, num tempo breve, meu novo livro, incompleto ainda, mas já dá para se ter uma idéia daquilo que ele propõe ou proporá.



Abraço


PS.: Não se automedique. Somos bons demais para nós mesmos.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Carta de Telmo C. a Sofia

Rio de Janeiro,     Dezembro de  2002.

Menina Sofia,

Como está? Já faz um tempo que não há vejo. Os dias passam rápido, os minutos correm tanto que os confundo com os segundos e o relógio não tem mais ponteiros.

Falo assim para, poeticamente, dizer que você não é uma hora atrasada, passada, o dia de ontem.

Menina Sofia, o barco que soltaste no lago é a resposta que todos querem e procuram como receitas prontas em almanaques de culinária.

No imenso lago Universo não existem cais, portos para ancorarmos nossos barcos: estamos à deriva mesmo,

Sofia, transitando na grandez do espaço, vivenciando as suas transformações e passando como águas que correm num curso de um rio, certamente, águas que jamais voltarão.