Caro amigo,
A necessidade material e o desgaste físico nunca foram motivos para eu lhe escrever durante esses anos. A necessidade emocional, fruto da tua ausência e a longa distância que há entre nós é a quem me apego todas as vezes que aqui venho.
Saber por onde anda e o que tem descoberto; as antigas pesquisas, a filosofia, os amores, em suma, sua mente brilhante me faz falta. Relate-me acerca de tudo isso quando puder.
Recebi um telegrama seu, e logo em seguida, uma encomenda. Você sabe de que se trata. O que me encantou mesmo foram umas folhas que pareciam compor uma espécie de dossiê. Aquele último relato me chamou atenção. É fascinante essa busca por libertação que nos deixa ainda mais presos aos nossos anseios. O caso Apple também é chocante e o final nada previsível. O mercado clínico europeu parece ser lucrativo, e melhor, satisfatório para estudantes como você.
E a viagem para França foi boa? Acho que Paris não inspira só a arte. Cada passo dado ali deve pesar fardos de variadas sensações. A cidade luz ofusca a depressão de seus habitantes.
Pretendo lhe enviar, num tempo breve, meu novo livro, incompleto ainda, mas já dá para se ter uma idéia daquilo que ele propõe ou proporá.
Abraço
PS.: Não se automedique. Somos bons demais para nós mesmos.
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