quinta-feira, 10 de março de 2016

Paródia da História

 “Dinheiro: pra poder pagar e financiar DIALÉTICA de quem mente mais; guerra de classes de ego, o dividendo, a matéria paga, e o sudaquismo a se revelar.”

“E agora chama o Golpe de Revolução!”, “Livrai-nos desse mal, dessa falsa moral, livrai-nos desse mal”.

O idealismo se mantém vivo. Cada qual com o seu, uma coisa, eu consigo observar, com meus e outros olhos: “o idealismo se mantém vivo”.
A fogueira continua acesa. O pão e o circo. A igreja imperando. É uma paródia da nossa lastimável história. Há quem diga: escória. Há quem acredite nessa oratória. Paródia da história. Ouvi um dia que “os que vencem é que contam a História”, então, estamos vencendo? O idealismo – o inimigo multifacetado.
A linguagem se desvinculou da sua própria razão.

Nós, que já estamos no alto da montanha e ousamos mais uma vez nos entendemos. O cenário é de um sacerdote legislador assassinando Cristo com o aval de um sistema opressor que lava as mãos. Caifás e Pilatos são figuras que se assemelham ao contexto brasileiro. Quer ver só? E quem é o Cristo? Todos os filhos de deus que ousaram dizer: “é nosso, somos filhos dessa terra”. São esses que merecem a cruz. Afinal, é rentável para o capitalismo (Pilatos) ter uma religião que ajude a manter a ORDEM deles. Caifás, o deputado assassino, pois quê, assassino? “Não vejo culpa alguma nesse homem”, sentença proferida, mas foi melhor fazer vista grossa, afinal, Caifás era amigo dos empresários e políticos amigos, e de toda guarda, e juízes...

O idealismo se mantém vivo. A dialética deles é um crime a vida. Um crime contra os Direitos Humanos. E quando se requer o DIREITO ainda se passa por criminoso. É um crime a razão deles.
Uma afronta aos princípios básicos ditados outrora. Ditados por quem e para quê? Não são eles que – dizia o deus deles – me roubam. É de todo, ler aquelas linhas me ajudaram a compreender a genealogia da moral cristã e o sistema opressor vigente no Brasil.

Se liga na astúcia dessa ordem. Eles não querem um país sem desigualdade. Para eles, nós não existimos: eles são os bons e vão para o céu. Eles são os desiguais; Livrai-nos desse mal, dessa falsa moral. Eles não querem um país sem violência e opressão: eles querem a miséria, a pobreza para ostentar privilégios. Eles não querem redistribuir, eles não querem uma reeducação das crianças. Querem mortos. Irmãos contra irmãos como em suas profecias. Eles precisam lucrar. É a dialética de quem mente mais. Abra o olho, homens da brasa, homens desta terra. Vos é chegados o reino dos céus, e ele é aqui.

Dead Fish, Nietzsche, livros de História. 

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

transar é pureza

nosso canibalismo conceitual é quem faz as coisas se inverterem por aqui - este aqui é agora, o momento da criação, do existir.
meu poema é para uma menina muito forte. nós evitamos o olhar direto, evitamos tudo se faz direto. muito amor nisso, muito.
ressalto a presença dela - me inspira a esta sentença hoje - único dia; com um tipo de riso forçando o maxilar, e espontâneo de coração.
menina frágil não se vinga - sangue há por qualquer existência efêmera; há faca na mão, e inocência (a vida eterna).
ela transa. ela grita grita...
pensei cá comigo: o sexo é pureza. o em si - a ação; sem a presença do rito instituído como parte de uma rotina, liturgia, purificação que sugere uma certa nuvem de podre, de pecado aparente.
o rito do casamento, a antilógica do ser ejaculador na união com uma reprodutora, sem mais...
que diabos? é uma religião?! parto deste abismo em que te lanço.
não murmurarás contra o senhor, o varão, o macho - seu deus.
sê seu escravo, numa relação um tanto bárbara conforme o padrão dialético - homem (senhor) + mulher (escravo) = estado, poder.
o superior, puramente superior, propriamente puro e superior. ela então descobriu-se (ambiguidade planejada), não é mais, apenas ESTÁ, comporta-se como quer - "eu quero", ela diz.
se pressentir pureza no acordo, ela se encanta com o acordo.
pureza instável inexorável diante do acordo. transar é pureza. a pureza do acordo. animalidade é pureza - até em Pausanias.
o acordo preserva a pureza na prostituição: o orgasmo é tua grana, os sons que excitam tuas fantasias, ela grita, grita e geme - finge.
a pureza do acordo, do sexo, no sexo. o sexo sem a imposição do rito. pelo outro, no outro, do outro, a pureza.
a menina que é menina porque é menina, e racional (templo da razão?). a vingança instintiva apenas, revida; vida.
um novo conceito nasce - vida que nunca deixará de gritar.

domingo, 9 de agosto de 2015

Ide!


Este imperativo que soa aos nossos ouvidos, como se o próprio Jesus Cristo dissesse-nos agora: “ide!”. É sobre isso que vamos falar, sem macete algum, apenas conforme a letra, como se está escrito. É claro que, sem levar em conta aspectos arqueológicos a fim de provar veracidade ou não dos personagens existentes, mas detendo-se somente no que está escrito, no que o ESPÍRITO HUMANO produziu ao longo do tempo por meio do VERBO, ou LOGUS, ou RAZÃO, ou A PALAVRA.
“Ide, ensinai a todas as nações”, ensinai o quê? Era Jesus segundo a ótica do evangelista Mateus, o primeiro evangelho, a primeira Gênesis que aparece do Messias esperado por Israel, todavia que não saiu segundo o desejo da elite sacerdotal e por hora submissa ao Império Romano. Caio Otávio, e ainda por cima, Augusto, divino, era o Rei de Judá. Numa tentativa absurda, os judeus, descendentes de Judá, diziam que o culto deveria ser prestado em Jerusalém. Aí aparece a presença de dois cultos, o judeu, e o antigo culto levítico, onde as seitas presentes queriam se valer do poder antigo de Moisés. Nesse cenário nasce Jesus Cristo.
Os judeus o rejeitaram, pois ao invés desse esperado rei lutar pelo seu título de herança e iniciar uma rebelião contra Roma, simplesmente Cristo procurou tratar dos aspectos psicológicos do homem, sendo uma espécie de Salvador da alma, daquele que cuida do que é interno. O aspecto político não aparece na figura desse Jesus, que rejeita ser este rei em nome de um reino invisível, o reino dos céus.
O reino dos céus era chegado, AQUI. É só ler as beatitudes do Messias, seu zelo pelas pessoas de menos condições materiais, sua crítica primeiro, não a Roma, mas a elite judaica que mantinha um status, um privilégio. Roma já cobrava seus impostos demasiados, não era? Então por que se valer do antigo, da cadeira de Moisés pra sustentar mordomias? Sendo que o culto mosaico era levítico, pois Moisés fora da tribo de Levi.
Estava uma bagunça. E é nesse cenário que Jesus nasce. Roma e a elite sacerdotal judaica no poder. E é esta junção de poder que vai combater o que vem a ser logo mais o cristianismo. A grande sacada do jogo. Ide! Dai aos pobres o que tem, antes de guardar a lei. O mais importante era compreender-se a condição de igualdade, todos eram israelitas, então, por que privilégios? Este basicamente era o questionamento, que dava bases para a doutrina do amor ao próximo.
O amor ao próximo era este reino invisível. Um reino impraticável até então, e menos ainda agora. Um reino semelhante ao comunismo proposto por Marx e comercializado nas universidades pelo mundo capitalista afora.
Era antes preciso entender o mesmo idealismo de Moisés quando ainda eram escravos no Egito, para só depois alcançar-se algo. Jesus estava preocupado em curar a alma, repito. Esse aspecto judeu defasado, primeiro precisaria ser restaurado. E claro, sua mensagem não era só para o Judeu. Jesus não defendia a luta direta contra o Estado, mas uma mudança de pensamento e um praticar desse pensamento. Por assim, fazer todos seriam irmãos verdadeiramente (ler as beatitudes). Jesus sequer combateu o escravismo. Este Jesus morreu exatamente por isso. Porque um homem que trazia consigo as massas e podia muito bem manipulá-la não o quis fazer. Sustentar os mesmos privilégios que Roma já sustentará? Não. Judá devia muito mais que reaver sua autonomia, precisava antes, reunir seus laços de amor ao próximo, e o primeiro próximo estava dentro de casa. Jesus, como muitos pensam e discutem, não cumpriu mesmo a lei levítica, ele cumpriu a lei divina, que se baseava no amor ao próximo.
Quem nos dá respaldo ainda mais para entender esse aspecto imaterial de Jesus é o evangelista João. Que será analisado em breve, como continuação e parte deste estudo que vimos fazendo ao longo dos tempos de acesso ao que se chama Bíblia e fontes precisas da história humana.
Ide, ensinai a todas as nações. O reino dos céus estava ali diante de todos, está diante de nós e é uma escolha feita todos os dias. Aceitá-lo ou não? O reino dos céus é a cura da alma. O homem que dera sua vida na cruz, não derramara seu sangue em prol a uma causa política, mas humana, pois até no termo política sugere-se manejo verbal da elite, seja ela romana ou ateniense. O sangue foi um símbolo da vitória do homem sobre o pecado. Aquilo que era sinônimo de culpa passou a ser limpeza, cura. Você não peca por nada, no entanto, se fizer mal a alguém, é bom rever o que foi feito, e para isso serve o perdão. O pecado passara a ter relação com aquilo que fazemos ao próximo. Não fazer aquilo que não quer que te seja feito. No entanto, a lei mosaica tinha outra espécie de julgamento, semelhante aos códigos da antiguidade, baseado no olho por olho: matou, morrerá. O crime era julgado conforme o crime, porque a lei era para o cidadão, além de ser parte do culto.
Cristo deixará claro que para não pecar contra deus era só não pecar contra o próximo; fazer bem a deus significava fazer bem ao próximo. Este era o reino de deus, um reino sem pecados, onde todos estavam conscientes dos seus atos em relação ao próximo, com intuito de se preservarem como irmãos, espécie humana. Isso deveria ser ensinado a todos as nações.
Hoje a indústria capitalista dos fabricantes de bíblias e novas seitas atraem os homens pelo mundo com um Jesus mítico, e usam o evangelho de João. E é por isso que, para desmitificar esse pobre homem nós estamos aqui, mas tão longo não, pois nossos pés obedecem àquele imperativo de dias após a ressurreição: Ide!


terça-feira, 19 de abril de 2011

Carta de Telmo Clementino a Sigmund Freud

Caro amigo, 

A necessidade material e o desgaste físico nunca foram motivos para eu lhe escrever durante esses anos. A necessidade emocional, fruto da tua ausência e a longa distância que há entre nós é a quem me apego todas as vezes que aqui venho.

Saber por onde anda e o que tem descoberto; as antigas pesquisas, a filosofia, os amores, em suma, sua mente brilhante me faz falta. Relate-me acerca de tudo isso quando puder.

Recebi um telegrama seu, e logo em seguida, uma encomenda. Você sabe de que se trata. O que me encantou mesmo foram umas folhas que pareciam compor uma espécie de dossiê. Aquele último relato me chamou atenção. É fascinante essa busca por libertação que nos deixa ainda mais presos aos nossos anseios. O caso Apple também é chocante e o final nada previsível. O mercado clínico europeu parece ser lucrativo, e melhor, satisfatório para estudantes como você.

E a viagem para França foi boa? Acho que Paris não inspira só a arte. Cada passo dado ali deve pesar fardos de variadas sensações. A cidade luz ofusca a depressão de seus habitantes.

Pretendo lhe enviar, num tempo breve, meu novo livro, incompleto ainda, mas já dá para se ter uma idéia daquilo que ele propõe ou proporá.



Abraço


PS.: Não se automedique. Somos bons demais para nós mesmos.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Carta de Telmo C. a Sofia

Rio de Janeiro,     Dezembro de  2002.

Menina Sofia,

Como está? Já faz um tempo que não há vejo. Os dias passam rápido, os minutos correm tanto que os confundo com os segundos e o relógio não tem mais ponteiros.

Falo assim para, poeticamente, dizer que você não é uma hora atrasada, passada, o dia de ontem.

Menina Sofia, o barco que soltaste no lago é a resposta que todos querem e procuram como receitas prontas em almanaques de culinária.

No imenso lago Universo não existem cais, portos para ancorarmos nossos barcos: estamos à deriva mesmo,

Sofia, transitando na grandez do espaço, vivenciando as suas transformações e passando como águas que correm num curso de um rio, certamente, águas que jamais voltarão.