Este imperativo que soa aos nossos ouvidos,
como se o próprio Jesus Cristo dissesse-nos agora: “ide!”. É sobre isso que vamos
falar, sem macete algum, apenas conforme a letra, como se está escrito. É claro
que, sem levar em conta aspectos arqueológicos a fim de provar veracidade ou
não dos personagens existentes, mas detendo-se somente no que está escrito, no
que o ESPÍRITO HUMANO produziu ao longo do tempo por meio do VERBO, ou LOGUS,
ou RAZÃO, ou A PALAVRA.
“Ide, ensinai a todas as nações”, ensinai o
quê? Era Jesus segundo a ótica do evangelista Mateus, o primeiro evangelho, a
primeira Gênesis que aparece do Messias esperado por Israel, todavia que não
saiu segundo o desejo da elite sacerdotal e por hora submissa ao Império
Romano. Caio Otávio, e ainda por cima, Augusto, divino, era o Rei de Judá. Numa
tentativa absurda, os judeus, descendentes de Judá, diziam que o culto deveria
ser prestado em Jerusalém. Aí aparece a presença de dois cultos, o judeu, e o
antigo culto levítico, onde as seitas presentes queriam se valer do poder
antigo de Moisés. Nesse cenário nasce Jesus Cristo.
Os judeus o rejeitaram, pois ao invés desse
esperado rei lutar pelo seu título de herança e iniciar uma rebelião contra
Roma, simplesmente Cristo procurou tratar dos aspectos psicológicos do homem, sendo
uma espécie de Salvador da alma, daquele que cuida do que é interno. O aspecto
político não aparece na figura desse Jesus, que rejeita ser este rei em nome de
um reino invisível, o reino dos céus.
O reino dos céus era chegado, AQUI. É só
ler as beatitudes do Messias, seu zelo pelas pessoas de menos condições
materiais, sua crítica primeiro, não a Roma, mas a elite judaica que mantinha
um status, um privilégio. Roma já cobrava seus impostos demasiados, não era? Então
por que se valer do antigo, da cadeira de Moisés pra sustentar mordomias? Sendo
que o culto mosaico era levítico, pois Moisés fora da tribo de Levi.
Estava uma bagunça. E é nesse cenário que
Jesus nasce. Roma e a elite sacerdotal judaica no poder. E é esta junção de
poder que vai combater o que vem a ser logo mais o cristianismo. A grande
sacada do jogo. Ide! Dai aos pobres o que tem, antes de guardar a lei. O mais
importante era compreender-se a condição de igualdade, todos eram israelitas,
então, por que privilégios? Este basicamente era o questionamento, que dava
bases para a doutrina do amor ao próximo.
O amor ao próximo era este reino invisível.
Um reino impraticável até então, e menos ainda agora. Um reino semelhante ao
comunismo proposto por Marx e comercializado nas universidades pelo mundo
capitalista afora.
Era antes preciso entender o mesmo
idealismo de Moisés quando ainda eram escravos no Egito, para só depois
alcançar-se algo. Jesus estava preocupado em curar a alma, repito. Esse aspecto
judeu defasado, primeiro precisaria ser restaurado. E claro, sua mensagem não
era só para o Judeu. Jesus não defendia a luta direta contra o Estado, mas uma
mudança de pensamento e um praticar desse pensamento. Por assim, fazer todos
seriam irmãos verdadeiramente (ler as beatitudes). Jesus sequer combateu o
escravismo. Este Jesus morreu exatamente por isso. Porque um homem que trazia
consigo as massas e podia muito bem manipulá-la não o quis fazer. Sustentar os
mesmos privilégios que Roma já sustentará? Não. Judá devia muito mais que
reaver sua autonomia, precisava antes, reunir seus laços de amor ao próximo, e
o primeiro próximo estava dentro de casa. Jesus, como muitos pensam e discutem,
não cumpriu mesmo a lei levítica, ele cumpriu a lei divina, que se baseava no
amor ao próximo.
Quem nos dá respaldo ainda mais para
entender esse aspecto imaterial de Jesus é o evangelista João. Que será
analisado em breve, como continuação e parte deste estudo que vimos fazendo ao
longo dos tempos de acesso ao que se chama Bíblia e fontes precisas da história
humana.
Ide, ensinai a todas as nações. O reino dos
céus estava ali diante de todos, está diante de nós e é uma escolha feita todos
os dias. Aceitá-lo ou não? O reino dos céus é a cura da alma. O homem que dera
sua vida na cruz, não derramara seu sangue em prol a uma causa política, mas
humana, pois até no termo política sugere-se manejo verbal da elite, seja ela
romana ou ateniense. O sangue foi um símbolo da vitória do homem sobre o
pecado. Aquilo que era sinônimo de culpa passou a ser limpeza, cura. Você não
peca por nada, no entanto, se fizer mal a alguém, é bom rever o que foi feito,
e para isso serve o perdão. O pecado passara a ter relação com aquilo que
fazemos ao próximo. Não fazer aquilo que não quer que te seja feito. No
entanto, a lei mosaica tinha outra espécie de julgamento, semelhante aos
códigos da antiguidade, baseado no olho por olho: matou, morrerá. O crime era
julgado conforme o crime, porque a lei era para o cidadão, além de ser parte do
culto.
Cristo deixará claro que para não pecar
contra deus era só não pecar contra o próximo; fazer bem a deus significava
fazer bem ao próximo. Este era o reino de deus, um reino sem pecados, onde
todos estavam conscientes dos seus atos em relação ao próximo, com intuito de
se preservarem como irmãos, espécie humana. Isso deveria ser ensinado a todos
as nações.
Hoje a indústria capitalista dos
fabricantes de bíblias e novas seitas atraem os homens pelo mundo com um Jesus
mítico, e usam o evangelho de João. E é por isso que, para desmitificar esse
pobre homem nós estamos aqui, mas tão longo não, pois nossos pés obedecem
àquele imperativo de dias após a ressurreição: Ide!