quinta-feira, 20 de agosto de 2015

transar é pureza

nosso canibalismo conceitual é quem faz as coisas se inverterem por aqui - este aqui é agora, o momento da criação, do existir.
meu poema é para uma menina muito forte. nós evitamos o olhar direto, evitamos tudo se faz direto. muito amor nisso, muito.
ressalto a presença dela - me inspira a esta sentença hoje - único dia; com um tipo de riso forçando o maxilar, e espontâneo de coração.
menina frágil não se vinga - sangue há por qualquer existência efêmera; há faca na mão, e inocência (a vida eterna).
ela transa. ela grita grita...
pensei cá comigo: o sexo é pureza. o em si - a ação; sem a presença do rito instituído como parte de uma rotina, liturgia, purificação que sugere uma certa nuvem de podre, de pecado aparente.
o rito do casamento, a antilógica do ser ejaculador na união com uma reprodutora, sem mais...
que diabos? é uma religião?! parto deste abismo em que te lanço.
não murmurarás contra o senhor, o varão, o macho - seu deus.
sê seu escravo, numa relação um tanto bárbara conforme o padrão dialético - homem (senhor) + mulher (escravo) = estado, poder.
o superior, puramente superior, propriamente puro e superior. ela então descobriu-se (ambiguidade planejada), não é mais, apenas ESTÁ, comporta-se como quer - "eu quero", ela diz.
se pressentir pureza no acordo, ela se encanta com o acordo.
pureza instável inexorável diante do acordo. transar é pureza. a pureza do acordo. animalidade é pureza - até em Pausanias.
o acordo preserva a pureza na prostituição: o orgasmo é tua grana, os sons que excitam tuas fantasias, ela grita, grita e geme - finge.
a pureza do acordo, do sexo, no sexo. o sexo sem a imposição do rito. pelo outro, no outro, do outro, a pureza.
a menina que é menina porque é menina, e racional (templo da razão?). a vingança instintiva apenas, revida; vida.
um novo conceito nasce - vida que nunca deixará de gritar.

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