domingo, 9 de agosto de 2015

Ide!


Este imperativo que soa aos nossos ouvidos, como se o próprio Jesus Cristo dissesse-nos agora: “ide!”. É sobre isso que vamos falar, sem macete algum, apenas conforme a letra, como se está escrito. É claro que, sem levar em conta aspectos arqueológicos a fim de provar veracidade ou não dos personagens existentes, mas detendo-se somente no que está escrito, no que o ESPÍRITO HUMANO produziu ao longo do tempo por meio do VERBO, ou LOGUS, ou RAZÃO, ou A PALAVRA.
“Ide, ensinai a todas as nações”, ensinai o quê? Era Jesus segundo a ótica do evangelista Mateus, o primeiro evangelho, a primeira Gênesis que aparece do Messias esperado por Israel, todavia que não saiu segundo o desejo da elite sacerdotal e por hora submissa ao Império Romano. Caio Otávio, e ainda por cima, Augusto, divino, era o Rei de Judá. Numa tentativa absurda, os judeus, descendentes de Judá, diziam que o culto deveria ser prestado em Jerusalém. Aí aparece a presença de dois cultos, o judeu, e o antigo culto levítico, onde as seitas presentes queriam se valer do poder antigo de Moisés. Nesse cenário nasce Jesus Cristo.
Os judeus o rejeitaram, pois ao invés desse esperado rei lutar pelo seu título de herança e iniciar uma rebelião contra Roma, simplesmente Cristo procurou tratar dos aspectos psicológicos do homem, sendo uma espécie de Salvador da alma, daquele que cuida do que é interno. O aspecto político não aparece na figura desse Jesus, que rejeita ser este rei em nome de um reino invisível, o reino dos céus.
O reino dos céus era chegado, AQUI. É só ler as beatitudes do Messias, seu zelo pelas pessoas de menos condições materiais, sua crítica primeiro, não a Roma, mas a elite judaica que mantinha um status, um privilégio. Roma já cobrava seus impostos demasiados, não era? Então por que se valer do antigo, da cadeira de Moisés pra sustentar mordomias? Sendo que o culto mosaico era levítico, pois Moisés fora da tribo de Levi.
Estava uma bagunça. E é nesse cenário que Jesus nasce. Roma e a elite sacerdotal judaica no poder. E é esta junção de poder que vai combater o que vem a ser logo mais o cristianismo. A grande sacada do jogo. Ide! Dai aos pobres o que tem, antes de guardar a lei. O mais importante era compreender-se a condição de igualdade, todos eram israelitas, então, por que privilégios? Este basicamente era o questionamento, que dava bases para a doutrina do amor ao próximo.
O amor ao próximo era este reino invisível. Um reino impraticável até então, e menos ainda agora. Um reino semelhante ao comunismo proposto por Marx e comercializado nas universidades pelo mundo capitalista afora.
Era antes preciso entender o mesmo idealismo de Moisés quando ainda eram escravos no Egito, para só depois alcançar-se algo. Jesus estava preocupado em curar a alma, repito. Esse aspecto judeu defasado, primeiro precisaria ser restaurado. E claro, sua mensagem não era só para o Judeu. Jesus não defendia a luta direta contra o Estado, mas uma mudança de pensamento e um praticar desse pensamento. Por assim, fazer todos seriam irmãos verdadeiramente (ler as beatitudes). Jesus sequer combateu o escravismo. Este Jesus morreu exatamente por isso. Porque um homem que trazia consigo as massas e podia muito bem manipulá-la não o quis fazer. Sustentar os mesmos privilégios que Roma já sustentará? Não. Judá devia muito mais que reaver sua autonomia, precisava antes, reunir seus laços de amor ao próximo, e o primeiro próximo estava dentro de casa. Jesus, como muitos pensam e discutem, não cumpriu mesmo a lei levítica, ele cumpriu a lei divina, que se baseava no amor ao próximo.
Quem nos dá respaldo ainda mais para entender esse aspecto imaterial de Jesus é o evangelista João. Que será analisado em breve, como continuação e parte deste estudo que vimos fazendo ao longo dos tempos de acesso ao que se chama Bíblia e fontes precisas da história humana.
Ide, ensinai a todas as nações. O reino dos céus estava ali diante de todos, está diante de nós e é uma escolha feita todos os dias. Aceitá-lo ou não? O reino dos céus é a cura da alma. O homem que dera sua vida na cruz, não derramara seu sangue em prol a uma causa política, mas humana, pois até no termo política sugere-se manejo verbal da elite, seja ela romana ou ateniense. O sangue foi um símbolo da vitória do homem sobre o pecado. Aquilo que era sinônimo de culpa passou a ser limpeza, cura. Você não peca por nada, no entanto, se fizer mal a alguém, é bom rever o que foi feito, e para isso serve o perdão. O pecado passara a ter relação com aquilo que fazemos ao próximo. Não fazer aquilo que não quer que te seja feito. No entanto, a lei mosaica tinha outra espécie de julgamento, semelhante aos códigos da antiguidade, baseado no olho por olho: matou, morrerá. O crime era julgado conforme o crime, porque a lei era para o cidadão, além de ser parte do culto.
Cristo deixará claro que para não pecar contra deus era só não pecar contra o próximo; fazer bem a deus significava fazer bem ao próximo. Este era o reino de deus, um reino sem pecados, onde todos estavam conscientes dos seus atos em relação ao próximo, com intuito de se preservarem como irmãos, espécie humana. Isso deveria ser ensinado a todos as nações.
Hoje a indústria capitalista dos fabricantes de bíblias e novas seitas atraem os homens pelo mundo com um Jesus mítico, e usam o evangelho de João. E é por isso que, para desmitificar esse pobre homem nós estamos aqui, mas tão longo não, pois nossos pés obedecem àquele imperativo de dias após a ressurreição: Ide!


Nenhum comentário:

Postar um comentário